Ai de mim que em outra vida encomendei você.
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
terça-feira, 25 de setembro de 2007
ah, minha saúde....
Não gasto meu tempo ou dinheiro indo ao médico, ao dentista ou ao oftalmologista. Uma vez gastei 300 paus com psicanálise, os quais emprestei e até hoje não consegui pagar. Foi um dinheiro que investi apenas para ficar com mais medo da minha gigante hipocrisia. Ela ali sentada me ouvindo e eu pagando sem ter coragem pra dizer que... e que...., e olha só, eu.... .
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Vertigem
Abstenha-se.
Deixe para lá qualquer coisa que lhe reste,
porque tudo é sensação.
Um ato involuntário do seu corpo,
essa sombra cintilante,
que desgruda e revela então,
do que é que estamos encobertos
e há duas coisas separadas aí.
Um duelo entre o que é real e qual é o disfarce.
O que desprende não pertence a nada.
O que fica,
desnudo,
em carne viva,
é o que é.
Não se vê na lucidez
nem se sente em outra pele,
nem se pensa o que os livros podem dar
e eu penso.
Para onde foi o que desprendeu?
Quem ficou?
E se você ainda precisar,
ah! todos precisam vestir-se daquilo que não é,
que não há.
Não se pode voltar,
não deixe voltar.
Deixe para lá qualquer coisa que lhe reste,
porque tudo é sensação.
Um ato involuntário do seu corpo,
essa sombra cintilante,
que desgruda e revela então,
do que é que estamos encobertos
e há duas coisas separadas aí.
Um duelo entre o que é real e qual é o disfarce.
O que desprende não pertence a nada.
O que fica,
desnudo,
em carne viva,
é o que é.
Não se vê na lucidez
nem se sente em outra pele,
nem se pensa o que os livros podem dar
e eu penso.
Para onde foi o que desprendeu?
Quem ficou?
E se você ainda precisar,
ah! todos precisam vestir-se daquilo que não é,
que não há.
Não se pode voltar,
não deixe voltar.
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Trivial
Quero ao meu lado apenas quem aceite,
como presente de Natal, uma poesia.
Procuro por quem não acredita muito no Natal,
mas como eu, sente uma certa ansiedade pelo revellion.
Mas quem, como eu,
se pergunta para onde vão as pombas no fim da tarde?
E quem as percebe no cedo da manhã?
Pra onde mesmo é que elas vão?
E quem, como eu,
procura borboletas em volta de ti?
E quem é que ainda canta,
adeus ano velho, feliz ano novo?
Se me dizes que o fazes sem restrições,
ficarei ao teu lado,
até que o fogo não se apague,
nem com a água mais límpida.
como presente de Natal, uma poesia.
Procuro por quem não acredita muito no Natal,
mas como eu, sente uma certa ansiedade pelo revellion.
Mas quem, como eu,
se pergunta para onde vão as pombas no fim da tarde?
E quem as percebe no cedo da manhã?
Pra onde mesmo é que elas vão?
E quem, como eu,
procura borboletas em volta de ti?
E quem é que ainda canta,
adeus ano velho, feliz ano novo?
Se me dizes que o fazes sem restrições,
ficarei ao teu lado,
até que o fogo não se apague,
nem com a água mais límpida.
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
A necessidade do caos que não se deseja
Há algo rompido dentro de mim,
um amor, uma coisa que nunca decifrei ao certo.
Há uma dor e um pedaço sem cor,
uma flor sem pétalas
uma borboleta que fugiu do meu estômago.
Do jeito que era,
um rompimento comigo mesma,
com metade de mim.
Chegou, enfim, o caos indesejado e necessário
a dor que vai me resgatar
a ausência que vai me matar
uma partícula triste de um adeus presente
nos separamos sem sair dos nossos lugares
teu lugar sempre foi dentro de mim mas eu estive sempre
do teu lado de fora
e não demora,
estarei suspensa até do teu quintal bonito.
um amor, uma coisa que nunca decifrei ao certo.
Há uma dor e um pedaço sem cor,
uma flor sem pétalas
uma borboleta que fugiu do meu estômago.
Do jeito que era,
um rompimento comigo mesma,
com metade de mim.
Chegou, enfim, o caos indesejado e necessário
a dor que vai me resgatar
a ausência que vai me matar
uma partícula triste de um adeus presente
nos separamos sem sair dos nossos lugares
teu lugar sempre foi dentro de mim mas eu estive sempre
do teu lado de fora
e não demora,
estarei suspensa até do teu quintal bonito.
Ao Barzotto
Abaixo o orgulho
Enfim, seus olhos outra vez.
O perdi no caminho,
aprontei,
sofri sem você, pode acreditar.
O desdenhei,
fiz uma coletânea de todos os seus defeitos -
os que são de fato e os que inventei.
Bradei ódio e orgulho
enquanto sentia falta de como nos compreendemos
de como precisamos apenas nos olhar.
Tive medo do nunca mais você comigo
tantas vezes desviei o olhar – pra você não me entender
e perceber que era só da gente que eu precisava.
Corri da vontade de abraçar você e só aceitei isso,
quando num sono curto nos abraçamos outra vez.
No fundo eu até gosto das suas fúrias,
do seu relaxo com as coisas que eu me preocupo.
Eu só gosto de enxergar você em algum lugar,
saber que está perto,
saber que estamos perto.
Enfim, seus olhos outra vez.
O perdi no caminho,
aprontei,
sofri sem você, pode acreditar.
O desdenhei,
fiz uma coletânea de todos os seus defeitos -
os que são de fato e os que inventei.
Bradei ódio e orgulho
enquanto sentia falta de como nos compreendemos
de como precisamos apenas nos olhar.
Tive medo do nunca mais você comigo
tantas vezes desviei o olhar – pra você não me entender
e perceber que era só da gente que eu precisava.
Corri da vontade de abraçar você e só aceitei isso,
quando num sono curto nos abraçamos outra vez.
No fundo eu até gosto das suas fúrias,
do seu relaxo com as coisas que eu me preocupo.
Eu só gosto de enxergar você em algum lugar,
saber que está perto,
saber que estamos perto.
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Não há solidão na noite, não sempre
Na madrugada ela sentava-se em qualquer lugar que não lhe oferecesse mal estar. Esperava encontrar alguma boa conversa, ao menos alguém que apreciasse o momento como ela. Bebia, sem demora copos de uísque com guaraná. Gelo, nem sempre. Enquanto ficava em silêncio, apenas na companhia de sons distantes, ela mordia os lábios, arrancando a pele que insistia em lhe incomodar. Mariana não gostava da solidão, passou a enfrentá-la quando sentiu-se pior ao lado de alguém do que se estivesse só.
Naquela noite fazia frio. Um vento impiedoso e a sensação térmica que visitava os baixos graus dos termômetros. As mãos de Mariana, congeladas e com uma cor púrpura iam a boca a cada crise de tosse. Estava denunciada na cor das mãos e no peito carregado os problemas respiratórios e de circulação. Sempre lírica, Mariana acreditava que seu sangue pouco percorria suas extremidades por não vir com força do coração. Até aí, biologia. Mas Mariana sabia que de um modo ou outro seu coração estava fraco. Não a ponto de nenhuma tragédia nos hospitais da cidade, mas um sintoma de sofrimento que apenas ela, que só ela sabia sentir.
A menina continuava solitária aos goles e tragadas. Pensava sobre o que lhe haviam dito, em palavras ríspidas e medíocres, vindo deles todos que a repreendiam. A bebida não terminava no copo e Mariana refazia. Duas pedras de gelo, um grande pouco de uísque e o resto de guaraná. Sentia ali, naquela relação íntima com o copo de plástico, uma melancolia de tempos que se foram. Dos carnavais que brincava animada sem se importar com as músicas, das loucuras dos dias de folia que tinha um perfume chamado Natu Nóbilis e do quanto pensava ainda estar salva: “apenas no carnaval”. Mariana não tinha cara nem jeito de boa moça. Boa moça não era, mesmo.
Na cabeça, mil poemas que ao chegar em casa jamais lembraria. O poeta, pelo hábito de bebericar por aí deve ter a mão, facilmente papel e caneta. A sobriedade não lhe serve, mas a amnésia alcoólica acaba com sua arte. Mas Mariana não era poeta nem coisa nenhuma de que pudesse se orgulhar, nem que pudesse orgulhar àqueles que ela mais amava.
Mariana escondia nos minutos do cigarro a sua não vontade de ir embora e no tempo que passava com o copo ainda cheio nas mãos repetia a si mesma: só mais este. E mais este, e mais este, e mais este... Sem final. Ela queria tudo sem fim. O cigarro, o copo, os beijos que já dera, as noites de amor sem amor, a falta de compromisso, a conversa com uma amiga de sempre, a noite. Mariana não suportava o fim de cada coisa porque queria entender tudo naquela noite. Queria escrever um livro com cada gota do uísque, com cada fragmento de fumaça no ar.
Ah, menina levada essa. Sempre pela rua, pelos bares, pelos postos... tinha sede, tinha falta de calor das pessoas. Queria que qualquer vagabundo como ela a encontrasse ali. Paralisada, preguiçosa, satisfeita com apenas aquilo ali. Sempre encontrava alguém. Sempre ia pra casa depois de um tchau e mesmo odiando cada despedida de cada ser na face da terra, ela não era tão só assim.
Naquela noite fazia frio. Um vento impiedoso e a sensação térmica que visitava os baixos graus dos termômetros. As mãos de Mariana, congeladas e com uma cor púrpura iam a boca a cada crise de tosse. Estava denunciada na cor das mãos e no peito carregado os problemas respiratórios e de circulação. Sempre lírica, Mariana acreditava que seu sangue pouco percorria suas extremidades por não vir com força do coração. Até aí, biologia. Mas Mariana sabia que de um modo ou outro seu coração estava fraco. Não a ponto de nenhuma tragédia nos hospitais da cidade, mas um sintoma de sofrimento que apenas ela, que só ela sabia sentir.
A menina continuava solitária aos goles e tragadas. Pensava sobre o que lhe haviam dito, em palavras ríspidas e medíocres, vindo deles todos que a repreendiam. A bebida não terminava no copo e Mariana refazia. Duas pedras de gelo, um grande pouco de uísque e o resto de guaraná. Sentia ali, naquela relação íntima com o copo de plástico, uma melancolia de tempos que se foram. Dos carnavais que brincava animada sem se importar com as músicas, das loucuras dos dias de folia que tinha um perfume chamado Natu Nóbilis e do quanto pensava ainda estar salva: “apenas no carnaval”. Mariana não tinha cara nem jeito de boa moça. Boa moça não era, mesmo.
Na cabeça, mil poemas que ao chegar em casa jamais lembraria. O poeta, pelo hábito de bebericar por aí deve ter a mão, facilmente papel e caneta. A sobriedade não lhe serve, mas a amnésia alcoólica acaba com sua arte. Mas Mariana não era poeta nem coisa nenhuma de que pudesse se orgulhar, nem que pudesse orgulhar àqueles que ela mais amava.
Mariana escondia nos minutos do cigarro a sua não vontade de ir embora e no tempo que passava com o copo ainda cheio nas mãos repetia a si mesma: só mais este. E mais este, e mais este, e mais este... Sem final. Ela queria tudo sem fim. O cigarro, o copo, os beijos que já dera, as noites de amor sem amor, a falta de compromisso, a conversa com uma amiga de sempre, a noite. Mariana não suportava o fim de cada coisa porque queria entender tudo naquela noite. Queria escrever um livro com cada gota do uísque, com cada fragmento de fumaça no ar.
Ah, menina levada essa. Sempre pela rua, pelos bares, pelos postos... tinha sede, tinha falta de calor das pessoas. Queria que qualquer vagabundo como ela a encontrasse ali. Paralisada, preguiçosa, satisfeita com apenas aquilo ali. Sempre encontrava alguém. Sempre ia pra casa depois de um tchau e mesmo odiando cada despedida de cada ser na face da terra, ela não era tão só assim.
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Para Camila

Ela se chamava então, Poesia.
Menina feita com ares de pureza e de intensidade,
duas características que pouco se cruzam, mas que nela, Poesia,
faz uma rima.
A leio ao longe, sem poder tocar o papel,
sem sentir o cheiro da tinta ou do perfume com o qual foi escrita,
e descobri sem que alguém me dissesse,
seu nome, Poesia.
Uma pintura no rosto,
um rosto na natureza,
um sorriso estranho entre sorrisos que conheço
mas que posso dizer de conhecer?
Poesia é distante, vive longe e eu,
sinceramente não me importo.
Porque ela parece uma sensação,
e isso é a Poesia.
A conheci pelo nome de Poesia.
Menina feita com ares de pureza e de intensidade,
duas características que pouco se cruzam, mas que nela, Poesia,
faz uma rima.
A leio ao longe, sem poder tocar o papel,
sem sentir o cheiro da tinta ou do perfume com o qual foi escrita,
e descobri sem que alguém me dissesse,
seu nome, Poesia.
Uma pintura no rosto,
um rosto na natureza,
um sorriso estranho entre sorrisos que conheço
mas que posso dizer de conhecer?
Poesia é distante, vive longe e eu,
sinceramente não me importo.
Porque ela parece uma sensação,
e isso é a Poesia.
A conheci pelo nome de Poesia.
máscaras
Gosto dos alegres,
mas preciso dos tristes para ser doce.
Preciso também, as vezes, ser triste,
para que me olhem,
com um pouco mais de ternura.
mas preciso dos tristes para ser doce.
Preciso também, as vezes, ser triste,
para que me olhem,
com um pouco mais de ternura.
Oração da noite
Tive bronquite desde os três meses de idade. O médico diagnosticou ser asmática e me receitou logo, com poucos anos, o Berotec. Meu pai insiste na alérgica e no tratamento homeopático. Quando criança, tossia até provocar vômito, não por querer, pois na época ainda não me condenava. Porém, agora já está na hora.
Conheci todo tipo de simpatia e reza, abacaxi, sebo de carneiro, mel e diabo a quatro. Saquinho de cânfora no peito e muito agasalho no inverno. Evitei sereno e bebida gelada. Não bastou.
Hoje, o cigarro e as taças de vinho, debaixo da lua na janela não são nenhuma forma de morrer tuberculosa ou de cirrose aos 20 ou 24 anos como os poetas que amo. Não passa da celebração da vida e um tanto de esforço para acabar com ela.
Continuo com o Berotec e algum xarope caseiro.
Em cada crise, seja asmática ou alérgica, contemplo a magnitude dos meus erros. As noites de sereno e embriaguês são só um pouco de alegria. O riso destemperado comemora os amigos, o filho que tive e o que não tive, numa ode a todo o crime que cometi em todos os casos.
Não se desgaste em me punir pelos amores vagabundos e tortos que tenho. Não se gaste com preocupações sobre sentimentos nefastos que me habitam. Já faço o suficiente, por mim e por todo o mundo.
Demônios me deixem em paz que eu preciso dormir.
Amém.
Conheci todo tipo de simpatia e reza, abacaxi, sebo de carneiro, mel e diabo a quatro. Saquinho de cânfora no peito e muito agasalho no inverno. Evitei sereno e bebida gelada. Não bastou.
Hoje, o cigarro e as taças de vinho, debaixo da lua na janela não são nenhuma forma de morrer tuberculosa ou de cirrose aos 20 ou 24 anos como os poetas que amo. Não passa da celebração da vida e um tanto de esforço para acabar com ela.
Continuo com o Berotec e algum xarope caseiro.
Em cada crise, seja asmática ou alérgica, contemplo a magnitude dos meus erros. As noites de sereno e embriaguês são só um pouco de alegria. O riso destemperado comemora os amigos, o filho que tive e o que não tive, numa ode a todo o crime que cometi em todos os casos.
Não se desgaste em me punir pelos amores vagabundos e tortos que tenho. Não se gaste com preocupações sobre sentimentos nefastos que me habitam. Já faço o suficiente, por mim e por todo o mundo.
Demônios me deixem em paz que eu preciso dormir.
Amém.
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Provocação
"Estou cansada da minha própria hipocrisia. Até então, me cansava apenas da podridão da sociedade. Mas eu sou sociedade. A podridão está em mim. Estou cansada de me decepcionar com pessoas, que de ilustres passam a ser tremendos bundões. Pura entrega a corrupção de si mesmo. Tenho feito diversas CPI´s da Larissa. Faço minhas próprias acareações. Corrupta de mim mesma. Corruptora dos meus ideais e dos meus desejos mais profundos. Adepta ao mais fácil, por isso, o mais medíocre.Neruda disse um dia que estava memso cansada de ser homem. Eu só estou cansada de ser gente. Gente igual a todas as gentes. Gente urubu num dia e gente carniça no outro.Detesto odiar as pessoas que mais amo pelo simples fato de eu colocar a culpa das minhas amarras nelas. E o faço com tal veracidade que acredito nessa culpa mesmo sabendo que sou meu próprio cárcere.Eu tenho vergonha de causar vegonha nas pessoas e morro de pena que estas pessoas tenham vergonha de mim.Estou no fim da minha exaustão. Blehh"
Algo que escrevi, lá por novembro de 2006, entediada como hoje.
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Do que me falta
Fossas e dores são, no mínimo interessantes.
Porque são profundas,
têm a essência daquilo que me faz falta
em noites insones de embriaguês e riso.
E são como espelhos, talvez.
Estes que nem você, nem eu gostamos,
destes que desviamos no banheiro da balada ou em casa,
antes de sair e até dos vidros espelhados das vitrines nas ruas.
Mas eles são necessários e eles existem, mais do que isso.
E a gente existe e se reflete neles e chega uma hora,
em que nos trancam o caminho para que nos deparemos,
sem escapatória da nossa imagem,
gorda ou magra,
feia ou bonita,
suja ou limpa,
atraente ou imbecil.
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Confusão
É só no riso que a dor se manifesta e essa contradição é tão difícil de entender como frases extensas e tudo no vazio é tão perturbador como as vozes que me rodeiam e as vezes, eu não entendo nada. Eu gosto de sentir que somos iguais, que não há vergonha nos bolsos, assim como não há dinheiro. Perdeu-se a noção, a direção, o cartão de crédito e a sanidade. Mas ergue-se então um monumental estado de satisfação e desdém.
Não é desaforo, é apenas transgressão. Fazer tudo aquilo que é errado para todo o mundo mundial. Transgredir é ser ilegal, romântico, imoral, desinteressado. O mau gosto é o gosto que tem na minha boca. Gosto do feio porque se trata apenas de um conceito invisível, uma coisa bem mais complexa que pensar em como o feio se torna belo e como o belo de todos me irrita.
Realmente eu não sei o que eu quero. E me chamam confusa porque busco saciar minha carência em braços grandes, em braços pequenos e naquilo que é fútil, meio animal, meio selvagem e também naquilo que é sensível, que é emotivo e é o que mais machuca. Sensíveis são cruéis, sempre.
Quase tudo que merece punição eu já fiz. Crimes e mais crimes. Falta muito pouco pra não haver nada que eu não tenha feito. E se eu já não sei o porquê estou nesta última linha de texto, isso é normal, é real, é natural.
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Noites
A lua se despede,
sem mais cervejas, cigarros ou beijos
ela vai embora,
porque passou da hora,
e ficam a espera do sol, os bêbados prateados.
Um sol que invade a memória falha,
a cabeça pesada,
algum sofrimento que ficou.
E a hora de recomeçar,
com sobriedade,
a duras penas pensar, agir e sorrir.
Da noite, apenas sobrou um resto na garrafa,
o cheiro de lua que sai pelos poros,
a água que fica na boca
do beijo que se quis.
sem mais cervejas, cigarros ou beijos
ela vai embora,
porque passou da hora,
e ficam a espera do sol, os bêbados prateados.
Um sol que invade a memória falha,
a cabeça pesada,
algum sofrimento que ficou.
E a hora de recomeçar,
com sobriedade,
a duras penas pensar, agir e sorrir.
Da noite, apenas sobrou um resto na garrafa,
o cheiro de lua que sai pelos poros,
a água que fica na boca
do beijo que se quis.
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Precisão

Eu não quero me despedir da tua manha,
da tua farsa,
da tua caixinha de risos.
Não quero me desprender dos teus dedos,
das tuas mãos,
da tua teia de falsas emoções.
Mas eu preciso te deixar, ou, deixo de mim.
Eu preciso não mais te sufocar, vou me sufocar só.
Eu devo entender, me convencer,
me matar, sei lá.
E eu devo, muito mais do que quero,
tirar esse teu cheiro de tudo.
quarta-feira, 25 de julho de 2007
Uma nova magia
Nunca havia comprado nada pela internet. Já nadei pela lojinha do MST, vi preço de umas camisetas de alguns outros movimentos, alguns DVDs inatingíveis por aqui, no meu mundo. Mas meio cabloca ficava receosa em pagar por algo que não podia tomar nas mãos. E se não enviassem? Pra quem eu reclamaria? Ia sempre até a forma de pagamento e fechava logo a página. Mas quando algo, ao invés de ser tomado nas mãos nos toma a alma, então o medo ou algum tipo de razão desaparecem.Depois que meu amigo Leonardo Handa, o Japa, gravou um CD para mim, procurei por aquele nome na internet e dei de cara com o site. O Teatro Mágico. Eu queria engolir cada música do CD, mastigar o site, degustar cada imagem dos shows e todo aquele tom artístico. Me senti desarmada pela poesia, pela música, pela maquiagem de cada integrante da trupe. E mais do que nunca eu me frustrei por não saber nada de música e não poder ser O Teatro Mágico.
Encomendei DVD, uma camiseta para mim e sem dúvidas uma para o Japa. Ambas com a competente frase: “Os opostos si distraem os dispostos se atraem”. Lógico que depois de uma dúvida cruel pela frase “Só enquanto eu respirar vou me lembrar de você” ou ainda, “Só para raros”. E... ufa! Eu paguei e recebi minha compra. Dei o presente ao Léo como forma de agradecimento, porque não há oferenda maior de um ser humano ao outro do que algo que tome alma da forma que O Teatro Mágico tomou a minha.
O DVD? Perfeito, simples, à vontade, b o n i t o.
Me arrepiei em cada música e uma espécie desconhecida de emoção me saltou dos olhos, líquida.
E que a poesia não falte nunca ao mundo.
E que aquilo que é mágico, musical, teatral se junte tudo numa coisa só.
terça-feira, 17 de julho de 2007
Eu já estou com os pés nessa estradaQualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes, amanhã
Que notícias me dão dos amigos
Que notícias me dão de você
Sei que nada será como está
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
Um domingo qualquer, qualquer hora
Ventania em qualquer direção
Sei que nada será como antes, amanhã
Que notícias me dão dos amigos
Que notícias me dão de você
Sei que nada será como está
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
Um domingo qualquer, qualquer hora
Ventania em qualquer direção
Sei que nada será como antes, amanhã
Que notícias me dão dos amigos
Que noitícias me dão de você
Sei que nada será como está
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
(Nada Será Como Está - Milton Nascimento)
Solidariedad Internacional con Oaxaca!
Todos somos pueblo.
segunda-feira, 9 de julho de 2007

O Teatro Mágico - Realejo
Danilo Souza/ Fernando Anitelli
Será que a sorte virá num realejo?
Trazendo o pão da manhã
A faca e o queijo
Ou talvez... um beijo teu
Que me empreste a alegria... que me faça juntar
Todo resto do dia... meu café, meu jantar
Meu mundo inteiro...
que é tão fácil de enxergar... E chegar
Nenhum medo que possa enfrentar
Nem segredo que possa contar
Enquanto e tão cedo
Tão cedo
Enquanto for... um berço meu
Enquanto for... um terço meu
Serás vida... bem vinda
Serás viva... bem viva
Em mim
Será que a noite vira num vilarejo
vejo a ponte que levara o que desejo
admiro o que há de lindo e o que há de ser... você
Enquanto for... um berço meu
Enquanto for... um terço meu
Serás vida... bem vinda
Serás viva... bem viva
Em mim
"Os opostos se distraem
Os dispostos se atraem"
Trazendo o pão da manhã
A faca e o queijo
Ou talvez... um beijo teu
Que me empreste a alegria... que me faça juntar
Todo resto do dia... meu café, meu jantar
Meu mundo inteiro...
que é tão fácil de enxergar... E chegar
Nenhum medo que possa enfrentar
Nem segredo que possa contar
Enquanto e tão cedo
Tão cedo
Enquanto for... um berço meu
Enquanto for... um terço meu
Serás vida... bem vinda
Serás viva... bem viva
Em mim
Será que a noite vira num vilarejo
vejo a ponte que levara o que desejo
admiro o que há de lindo e o que há de ser... você
Enquanto for... um berço meu
Enquanto for... um terço meu
Serás vida... bem vinda
Serás viva... bem viva
Em mim
"Os opostos se distraem
Os dispostos se atraem"
sexta-feira, 22 de junho de 2007

Um poema escrito e musicado por Leonardo Handa, um grande amor, para mim.
Histórias dilaceradas antes de acordar
Contadas pela boca de lábios rachados
Pelo calor intenso de outros lábios que desesperados
Procuravam amar.
Na testa rabiscada
O croqui quase completo
De um ato assim
Acontecido calmamente.
Sem intenção
Nem comparação.
Como qualquer traição
Que acontecida se faz
Triste, feliz e ambígua
Na forma de amor voraz.
Contadas pela boca de lábios rachados
Pelo calor intenso de outros lábios que desesperados
Procuravam amar.
Na testa rabiscada
O croqui quase completo
De um ato assim
Acontecido calmamente.
Sem intenção
Nem comparação.
Como qualquer traição
Que acontecida se faz
Triste, feliz e ambígua
Na forma de amor voraz.
Tem gente que não bebe e tá morrendo
A noite cai na cidade. As luzes são tantas,
de faróis, de lâmpadas... a sensação é de que nada vai parar.
Pelas ruas, uma ode à desigualdade.
Pelas calçadas a intimidade do velho com o frio,
com a fome,
com o abandono.
Nos bares, cheirando à cachaça barata,
uma ode à vida.
de faróis, de lâmpadas... a sensação é de que nada vai parar.
Pelas ruas, uma ode à desigualdade.
Pelas calçadas a intimidade do velho com o frio,
com a fome,
com o abandono.
Nos bares, cheirando à cachaça barata,
uma ode à vida.
terça-feira, 12 de junho de 2007
Aos amigos Léo, Marta, Stella e Matheus
Sem vocês me falta poesia, insanidade, trocadilhos, jornalismo, música, cinema, literatura.
Sem vocês, a vida não vale um fiat 147.
Sem vocês, sinto que a revolução que eu não faço desaparece.
terça-feira, 5 de junho de 2007
MTST

“Aos poderosos
Considerando que existem grandes propriedades
enquanto os senhores nos deixam sem teto
nós decidimos: agora nelas nos instalaremos.
Porque em nossos buracos não podemos mais ficar
considerando que os senhores nos ameaçam
considerando que os senhores nos ameaçam
com balas e fuzis
nós decidimos: de agora em diante
temeremos mais a miséria do que a morte.”
Bertold Brecht - Dias de Comuna
sexta-feira, 1 de junho de 2007
Pelegagem

José Serra foi dirigente estudantil e presidente da União Nacional dos Estudantes (1963/64).
Perseguido pelo governo militar, que assumiu em 1964, permaneceu no exílio durante 14 anos.
Perseguido pelo governo militar, que assumiu em 1964, permaneceu no exílio durante 14 anos.
José Serra agora é governador de São Paulo. Um tucano com habilidades natas de cinismo, algo bem peculiar do PSDB.Depois de ter sido eleito, usando de seu passado no movimento estudantil para montar uma imagem decente perante o BRasil, Serra larga sua tropa de choque como cães em cima dos estudantes.
É uma vergonha ter tido alguém como Serra no ME.
É uma vergonha ter no BRasil um governante como Serra.
Que a ocupação continue!!!
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Carta ao meu nipo-amigo
Querido amigo, Leonardo Handa
O final desta manhã de quarta-feira, com alguns deveres já cumpridos no trabalho e ouvindo o último CD do IRA!, que muito me remete a você, me despertou a vontade de lhe escrever.
Seu comentário mais recente me deixou, no mínimo, feliz.
Nosso comodismo é peculiar talvez à monotonia de nossas rotinas de trabalho, estudo e algum momento de descontração com os amigos, tomando qualquer coisa alcoólica. Nosso dia-a-dia nos exige muito pouco. Nossa cômoda empresa de diplomas é, não mais que um agardável lugar onde encontramos com amigos e com raras pessoas que nos confortam com os defeitos em comum. Nosso local de trabalho, um pequeno espaço de realização parcial da profissão. Não é bem o que gostaríamos de estar fazendo, mas com um bom jogo de cintura driblamos as oito lentas horas que se passam.
É aquela coisa, estamos aí no mundo, fazendo o pequeno possível. Conseguimos discutir qualquer coisa sobre cultura, cinema e música com alguns, um trivial discurso político com outros, uma indignação na maior parte das vezes, tacanha com coisas pequenas... outro dia me deparei com uma destas: alguns alunos queriam "parar tudo" se a direção não resolvesse um impasse de formatura. A questão era que enquanto alguns que pagaram iriam estar sob os holofotes enquanto que outros que não pagaram, mas que se formariam na mesma ocasião, não apareceriam. Tudo bem, cada um com seus problemas, suas prioridades, seus princípios. Mas e a reforma universitária? E os colegas da USP que lutam pela autonomia da universidade. Ah, que bobeira, deixa pra lá. Vamos brigar pelas luzes da formatura.
Eu faço pouco, eu faço pouquíssimo pelas coisas que acredito e defendo. Sem todo o afinco do mundo tento a luta no movimento estudantil que não é feito por aqui, tento também uma discussão mais sólida sobre comunicação e me sinto, regularmente uma ridícula utópica. eu poderia desistir disso tudo. Nada me afeta mesmo. Mas é que me nutre. Preciso sentir isso tudo.
Só queria ter agora, mais tempo na faculdade. Passou tão rápido e só agora as coisas parecem fazer algum sentido. Mas como sempre, é tarde demais.
Tenho a lhe dizer que a idade é prêmio. Os anos de acúmulo, seja lá do que for são presentinhos isngelos da vida. Minha alma pede pra que eu a mantenha com o desejo de uma sexta-feira com amigos sempre vivo. Ela me diz a todo momento para que eu ensine, logo nos primeiros anos ao meu filho, coisas que dele reflitam em mim e não me deixem cair na chatice de ser adulta, de ser velha.
Estamos aí, estamos para a vida muito mais do que ela está para conosco. Mas eu ganho ânimo sabendo que sua poesia pode vir a ser e a fazer revoluções. Porque você sabe, um de meus heróis não empunhou outra arma que não fosse a poesia e a verdade em viver o que achava verdadeiro. Falo do Pablo Neruda, um baita comunista chileno que morreu angustiado pelo desgosto da deposição de um presidente, pela matança de inocentes, enfim... é a poesia a própria revolução, meu caro.
Sem mais, um forte abraço para esquentar este inverno voraz.
Larissa
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Deixemos de lado a anestesia

Já dizia Raul, “é sempre mais fácil achar que a culpa é do outro, evita o aperto de mão de um possível aliado. Convence as paredes do quarto, e dorme tranquilo, sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo...”.
Toda a mudança é bem vinda para uns, mal vinda para os outros. Na história, do Brasil e do mundo o embate entre os ativistas e os anestesiados pelo sistema chancelou uma série de rótulos para um grupo e outro. Quem quer mudança, quer baderna. Revolucionários são utópicos e não pensam conforme a realidade. A realidade, neste caso é: a maioria não está nem aí, cada um faz por si, o dinheiro manda em tudo e pronto. Os conservadores e os apáticos rezam a cartilha da moral, do fazer “o certo”, do dançar conforme a música e a música, neste caso é ganhar o seu salário e o que mais conseguir, seja com honestidade ou não.
Há neste engôdo uma parcela absurda daqueles que vivem suas vidas sem saber quantas voltas o mundo dá a sua volta. Transitam por aí como zumbis. Estes são geralmente os que optam por isso ou os que estão a margem da informação e da formação crítica. São vilões e vítimas de uma educação engessada que funciona apenas por funcionar, de políticos viciados em votos comprados econômicamoralmente, de uma economia sufocada pelo capitalismo e a corrida pelo lucro de poucos e por uma comunicação ao estilo Rede Globo. Todos abençoados por uma religião que cega com a ditadura do pecado, do temor à deus e da santidade daqueles que não desgarram.
Falar de política aos 21 anos com avidez por mudança, isso é coisa de sonhadores. Abdicar de costumes fadados ao capitalismo é pura bobeira. Esperar que o anestesiado desperte é inocência. Fica mais fácil olhar pra si e abrir mão da luta. Olhar para a maioria e culpa-la pela ignorância, sobrecarregá-la: “Eu desisto, não adianta, ninguém vai mudar”. É reconfortante esquecer-se da própria fraqueza em prol da fraqueza da massa.
Eu não aceito que, aqueles que estão no mesmo lugar que eu, ocupando uma vaga no planeta permaneça no sono profundo da apatia. Prefiro os rótulos, prefiro a chacota, prefiro sentir o descaso do que não provoca-lo. Prefiro deixar de convencer as paredes do quarto para apertar a mão de um companheiro de luta.
Prefiro tentar a mudança.
Toda a mudança é bem vinda para uns, mal vinda para os outros. Na história, do Brasil e do mundo o embate entre os ativistas e os anestesiados pelo sistema chancelou uma série de rótulos para um grupo e outro. Quem quer mudança, quer baderna. Revolucionários são utópicos e não pensam conforme a realidade. A realidade, neste caso é: a maioria não está nem aí, cada um faz por si, o dinheiro manda em tudo e pronto. Os conservadores e os apáticos rezam a cartilha da moral, do fazer “o certo”, do dançar conforme a música e a música, neste caso é ganhar o seu salário e o que mais conseguir, seja com honestidade ou não.
Há neste engôdo uma parcela absurda daqueles que vivem suas vidas sem saber quantas voltas o mundo dá a sua volta. Transitam por aí como zumbis. Estes são geralmente os que optam por isso ou os que estão a margem da informação e da formação crítica. São vilões e vítimas de uma educação engessada que funciona apenas por funcionar, de políticos viciados em votos comprados econômicamoralmente, de uma economia sufocada pelo capitalismo e a corrida pelo lucro de poucos e por uma comunicação ao estilo Rede Globo. Todos abençoados por uma religião que cega com a ditadura do pecado, do temor à deus e da santidade daqueles que não desgarram.
Falar de política aos 21 anos com avidez por mudança, isso é coisa de sonhadores. Abdicar de costumes fadados ao capitalismo é pura bobeira. Esperar que o anestesiado desperte é inocência. Fica mais fácil olhar pra si e abrir mão da luta. Olhar para a maioria e culpa-la pela ignorância, sobrecarregá-la: “Eu desisto, não adianta, ninguém vai mudar”. É reconfortante esquecer-se da própria fraqueza em prol da fraqueza da massa.
Eu não aceito que, aqueles que estão no mesmo lugar que eu, ocupando uma vaga no planeta permaneça no sono profundo da apatia. Prefiro os rótulos, prefiro a chacota, prefiro sentir o descaso do que não provoca-lo. Prefiro deixar de convencer as paredes do quarto para apertar a mão de um companheiro de luta.
Prefiro tentar a mudança.
sexta-feira, 25 de maio de 2007
A Miss Brasil e o DCE FADEP

Há algumas semanas, uma tímida comissão para formação do DCE na FADEP se reúne para adotar estratégias de mobilizar os estudantes. O objetivo principal é discutir o estatuto e na sequencia dar início ao processo eleitoral e implantação efetiva do Diretório Central dos Estudantes.
Em quase quatro anos de FADEP não é a primeira vez que um grupo dos chamados "alunos revolucionários, utópicos, sonhadores" tentam a façanha.
Nas reuniões, ficou decidida a prioridade por uma campanha no estilo formoguinhas, de conscientização, de explicação a todos os estudantes. Um cronograma elaborado para que os dias de aula sejam diferentes e alguns minutos além do intervalo não prejudiquem os alunos foi colocado em todas as salas, conclamando a todos para que se envolvam, compareçam.
A agremiação de estudantes em torno de uma politização e análise do contexto é lenta e resulta minimamente. A ignorância prevalece e mesmo os acontecimentos no Brasil que provam a necessidade da luta estudantil como instrumento de mudança para toda a sociedade convence a maioria.
Na noite de ontem, quando mais uma reunião estava agendada, mais quatro colegas se juntaram a comissão do DCE enquanto no andar de cima da biblioteca acontecia um desfile com a presença de uma miss Brasil. A cantina estava cheia e todos lá desfrutavam do poder da estética e da cultura machista. É quase esmagadora a maioria que se deixa levar por pão e circo.
**foto do Erecom 2007, Curitiba.
Movimentos Sociais

O Brasil vive um momento histórico no contexto dos Movimentos Sociais. São ocupações, atos públicos e moções de apoio a estudantes, trabalhadores sem terra, sem teto, servidores públicos...
Enquanto uma proposta quer regulamentar as greves, tolhindo o direito a reivindicar, o País fervilha em diferentes cantos.
Em São Paulo a reitoria da USP está ocupada há 22 dias.
Nesta semana a federal de Alagoas aderiu a mesma ação e além de reivindicar, ocupou em apoio à USP.
Ontem o Movimento dos Atingidos por Barragens e Via Campesina ocuparam a Usina de Tucuruí, no Pará .
Na quarta-feira, aproximadamente 4,5 mil militantes dos mais diversos segmentos pararam a Paulista num protesto dos servidores públicos.
Estaradas ficam bloqueadas por sem-terras.
Fábricas param.
Não é o caos, mas sim a revolução.
A mídia desinforma, principalmente através da TV e as pessoas ainda não se deram conta de que historicamente o Brasil retorna a um quadro de insatisfação e cobrança do poder público.
São diferentes áreas, todas com o propósito de alguma mudança.
A ocupação dos estudantes da USP vai marcar para sempre como uma forma de organização em que ninguém pode encher a boca pra chamar nossos companheiros de "baderneiros". Nenhum tipo de depredação, divisão de tarefas por grupos, rodas de estudo, preparo de defesa e não ofensiva para esperar a tropa de choque.
O governo tenta minimizar a situação, a mídia tenta abafar.
O povo quer lutar.
terça-feira, 22 de maio de 2007
segunda-feira, 21 de maio de 2007
(hiper)TENSÃO
O meu amigo, quase que de longa data é hipertenso. Ele deve ter seus, sei lá, 23 anos? Espero que seja isso. Enfim, o cara só ouve música alternativa das boas, escreve sobre orgias com os músicos e escritores que se instalam em seu quarto, bebe exageradamente e fuma cigarros mentolados. Ah! O Léo também faz coisas que o deixam meio inseguros quanto a sua sanidade. Ele, ineditamente sendo um erudito, gosta de IRA!. Eu também gosto, adoro. Mas é que eu não sou erudita. E no resumo deste descendente de japonês, aparece de repente uma hipertensão, seguida da tensão da Stella.
Ah sim, a Stella é uma erudita também (embora Lapada na Rachada, Risca Faca e outros as vezes componham seu repertório) e ela, assim como o Léo, não tem uma vida muito regrada ou saudável. É adepta de costumes a la Tia Marlene (ela fuma enquanto cozinha, por exemplo) e se veste com uma originalidade que chega a ser chique. Enfim, ela, que está tensa por conta da morte, digo, da hipertensão do Léo e quer que o Léo tenha uma vida saudável para que dure mais uns 500 anos (ela é exagerada também).
Nesses momentos, assim como ela, eu volto de um transe que me faz ignorar a morte. Passo então a pensar nela como alguém muito próxima e que quer ainda mais. Eu prefiro realmente não pensar nisto. Prefiro que a vida seja curta, como a vida das borboletas – que a Stella gosta tanto – que voam pelos lugares bonitos e mostram suas asas coloridas do que uma vida centenária, como a das tartarugas – que eu gosto tanto – que carregam peso demais nas costas e são lentas, com um aspecto sempre condenado.
Mas entre tartarugas e borboletas eu desejo que o Léo viva, com sua erudição, seus mentolados, suas cervejas e martinis e com sua (in)sanidade por quanto tempo for necessário, no tempo em que ele ainda seja capaz de sorrir nas madrugadas geladas do sudoeste ou do convidativo verão na Ilha do Mel, que por mais que eu não conheça, a vejo refletida nos olhos pequenos e quase fechados do Léo, o hipertenso Léo.
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